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Dificuldades na exportação de software: de quem é a culpa?

Dificuldades na exportação de software: de quem é a culpa?

por Armando Terribili Filho da IMPARIAMO 

O software tem uma característica ímpar, pois permite que seu desenvolvimento ocorra em um país para um cliente situado em qualquer outro do planeta, independentemente de língua, fuso horário ou cultura. É o que se chama de offshore, quando um serviço é prestado para um cliente fora das fronteiras do país onde está localizada a empresa produtora.

A Índia é na atualidade o maior polo exportador de software, que além de ter alto desempenho em Tecnologia da Informação (TI) utiliza a língua inglesa como segundo idioma, facilitando a comunicação com os principais mercados compradores de softwares.

Nós brasileiros possuímos algumas vantagens sobre os indianos, como a diversidade cultural, o fuso horário mais adequado com América do Norte e Europa – o que pode ser um facilitador no agendamento de reuniões de trabalho. Além disto, a indústria brasileira, até por razões históricas (muitos ainda se lembram dos planos econômicos que obrigavam as empresas a realizar significativas mudanças em seus sistemas em curtíssimo espaço de tempo) tem desenvolvido softwares criativos e flexíveis, exemplos disto são: a automação comercial no país, o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), as urnas eletrônicas, etc.

A lamentação dos empresários e empreendedores tem como alvo o governo brasileiro acerca das políticas de incentivo nesta área. O Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, não contemplou o software, embora esteja em discussão um pacote específico para a desoneração tributária nesta área (ISS, Cide e Cofins). Até o momento, o governo é um dos agentes causadores de preços elevados de software, em função da legislação trabalhista, pois o elevado nível de encargos encarece o preço final do produto desenvolvido no país.


Há, entretanto, que ressaltar que além do fator preço, os compradores exigem qualidade, referências ou outros indicadores que mostrem a capacidade de seu fornecedor internacional. É neste contexto que surgem as certificações, sejam de empresas ou de profissionais. As empresas através de certificações como ISO 9001 e CMMI podem demonstrar seu nível de especialização. A ISO 9001 evidencia que a empresa tem um sistema de qualidade implantado e que foi auditado por entidade credenciada. O CMMI (Capability Maturity Model Integration) trata da gestão de processos e de busca de melhoria da qualidade no desenvolvimento e manutenção de produtos e serviços de software. Há outras certificações não ligadas à TI que são valorizadas do ponto de vista institucional: ISO 14000 na área ambiental e SA-8000, certificação de responsabilidade social.

Além das certificações da empresa, há as certificações de profissionais, que podem estar vinculadas a empresas de TI ou não. São exemplos de certificações associadas a empresas de tecnologia: certificações Microsoft, Oracle, Cisco entre outras. Há também certificações que independem de empresas de tecnologia e que são reconhecidas e valorizadas no mercado internacional: PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute) na área de gerenciamento de projetos; o ITIL (Information Technology Infrastructure Library) nos níveis Foundation, Practioner and Manager, que trata do gerenciamento de serviços de TI; o CFPS (Certified Function Point Specialist), certificação na área de FPA (Function Point Analysis) relativa ao dimensionamento de software com base em suas funções.

As empresas brasileiras já investem em certificações corporativas, pois já reconhecem o valor agregado que têm, porém, o nível de investimento nas certificações de seus profissionais ainda deixa a desejar, pois temem a perda do investimento com a eventual saída do profissional qualificado para o mercado, ou pior, para um concorrente.

Se quisermos participar de um mercado internacional atraente, altamente competitivo e com fortes concorrentes (China e o Leste Europeu não estão parados!), os empresários devem buscar cada vez mais os certificados para suas empresas e para seus funcionários, pois estes “carimbos” têm justa valorização no mercado, evidenciando que a empresa investe na qualidade de seus processos e na capacitação profissional de suas equipes de projetos. Enfim, a competitividade de indústria de software no mercado internacional vai depender de políticas de incentivo do setor público e de investimentos do setor privado. Uma única certeza: o futuro apontará aqueles que permanecerem refratários, omissos ou inertes neste processo!

 

Artigo publicado no site da Revista TI Inside em 17/07/2007.

É permitida a republicação/divulgação deste artigo, desde que citado o autor, apresentado o link da Impariamo (www.impariamo.com.br) e o link completo do artigo. 

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