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O binômio de sucesso no desenvolvimento da liderança: reflexão e ação

O binômio de sucesso no desenvolvimento da liderança: reflexão e ação

Por Armando Terribili Filho da IMPARIAMO

A liderança é indiscutivelmente uma das maiores carências nas organizações, não somente quando se fala em Gerenciamento de Projetos, mas em todas as áreas. Especificamente, em Gerenciamento de Projetos, isto se torna muito sensível, pois as demandas são imensas no desenvolvimento, direcionamento e gestão da equipe, no relacionamento com os patrocinadores dos projetos, nas negociações com fornecedores, enfim, em saber comandar, orientar, estimular, cobrar, valorizar, e sobretudo, obter os resultados do projeto e ao mesmo tempo manter a equipe unida e com bom nível de realização pessoal e profissional.

Segundo Bateman e Snell (2009, p. 16) “Liderar é estimular as pessoas a terem alto desempenho. É dirigir, motivar e comunicar-se com os funcionários, individualmente ou em grupos.” Há artigos que discutem a diferença entre “gerentes” e “líderes”, todavia, o que se espera nos dias de hoje é que um gerente seja também líder, e que um líder também saiba gerenciar. A dicotomia não é mais aceitável. Descrever um líder como aqueles que “transformam as pessoas”, enquanto os gerentes como aqueles que “coordenam as pessoas” pode ser considerado algo, na atualidade, ultrapassado. O gerente precisa liderar, coordenando e transformando as pessoas, transformação esta que é realizada por meio da promoção do desenvolvimento profissional e da oferta de oportunidades de novas e crescentes responsabilidades em sua atuação profissional.

Ouve-se (ainda) dizer que os líderes são natos. Puro engano! Liderança se estuda, se pratica, se desenvolve. Prova disso é a significativa quantidade de cursos de especialização e publicações sobre o tema. Se liderança fosse algo nato, não existiriam calorosas discussões sobre o tema, teorias e constantes pesquisas. O que varia é o “estilo” de liderança. O estilo é algo pessoal, embora também seja dinâmico no transcorrer da vida de uma pessoa. Podem-se identificar líderes com predominância de disciplina, ou então, de conciliação, de comunicação, ou com muita sensibilidade e empatia; há ainda aqueles com características marcantes de objetividade, de pragmatismo, enfim, cada líder difere de outro. Quantas diferenças podem ser observadas no estilo de famosos líderes como: Obama, Gandhi, Mandela, Steve Jobs, Abílio Diniz, José Mujica (ex-presidente do Uruguai), Raí (ex-jogador de futebol e fundador da Fundação Gol de Letra), Carmem Prudente (jornalista, esposa de Antônio Candido Camargo que mobilizou a população da cidade de São Paulo em 1946 para construção do Hospital do Câncer, atual A.C. Camargo).

Liderança não tem vínculo com o organograma da organização. Em um organograma, o poder está contido na posição hierárquica da “caixinha” e não na pessoa que a ocupa a posição. A liderança é evidenciada pelas ações e atitudes de uma pessoa, e não pelo cargo que ocupa e/ou função.

Muitos profissionais buscam “receitas de bolo” e “fórmulas mágicas” para liderar equipes. Isto não existe, todavia, pode-se avançar nesta área. Três especialistas norte-americanos no tema: Dave Ulrich, Norm Smallwood e Kate Sweetman publicaram um ótimo livro que aborda o tema. O título “O código da liderança” é provocativo, pois a palavra “código” induz a “código genético”, ou seja, os autores querem mostrar que a fonte da liderança está distante de aspectos genéticos e buscam identificar “essência” da liderança. Após realizar pesquisas de campo com executivos, os autores dividem o “código da liderança” (base) em cinco dimensões: (i) visão: um líder é um estrategista, visionário sobre o futuro; (ii) execução: um líder tem capacidade de realização, de transformar estratégia em ação; (iii) gestão de talentos: um líder identifica, desenvolve e envolve o profissional talentoso; (iv) gestão de competências empresariais: um líder preocupa-se em fomentar o capital humano, desenvolvendo a próxima geração de líderes; e (v) autoconhecimento: um líder se conhece, investe em sua saúde e na sua imagem.

Os autores traduzem essas dimensões, respectivamente, em cinco regras:

  • Regra 1 - Prepare o futuro
  • Regra 2 - Faça acontecer
  • Regra 3 - Engaje o profissional talentoso
  • Regra 4 - Forme a próxima geração
  • Regra 5 - Invista em você

A contribuição desses autores é tamanha que eles apresentam sete testes para que o leitor possa facilmente identificar suas potencialidades e os pontos a desenvolver quanto a cada uma dessas dimensões. Por uma questão de conforto e comodidade, a tendência é que avancemos naquilo que temos maiores facilidades e nos afastemos do que nos traz dificuldades. É o caso do aluno que gosta de Matemática e não gosta de História (ou vice-versa); a tendência é estudar, praticar e desenvolver-se naquilo que lhe traz facilidades, consequentemente, terá melhor desempenho específico, maior reconhecimento social e satisfação.

Ainda segundo esses pesquisadores, essas cinco dimensões constituem-se de 60% a 70% do “código” (essência) que torna um líder eficaz. O complemento tem origem nos diferenciadores que podem variar conforme estratégia da organização e características de cada tarefa.

Qual seria a “receita”, então, para o desenvolvimento da liderança? Pessoalmente, acredito que tenha dois componentes primários. O primeiro, tem origem na antiguidade grega (Sócrates/Platão) no “conheça-te”. O “conhecer a si mesmo” tem várias fontes de alimentação: as reflexões pessoais, os feedbacks recebidos (sejam os positivos ou as críticas) de pares, subordinados e de superiores, as avaliações formais nas organizações, e até os resultados dos testes propostos no livro citado. O segundo componente é o “aja”, ou seja, é a ação, a concretização das mudanças que planejou para si.

Todavia lembre-se: esse binômio “reflexão-ação” é contínuo, é infindável. O importante é que você tenha como meta tornar-se sempre melhor, como profissional e como ser humano.

 

 

Referências

BATEMAN, Thomas S.; SNELL, Scott A. Administração: novo cenário competitivo. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

ULRICH, Dave; SMALLWOOD, Norm; SWEETMAN, Kate. O código da liderança: cinco regras para fazer diferença. Rio de Janeiro: Bestseller, 2009.

 

 

Observações:

  • Este texto é resposta à pergunta formulada por profissional de Vitória (ES) ao PMI-ES (seção "Pergunte ao Especialista"). A pergunta foi "Que características tem um verdadeiro líder? Existe alguma receita de bolo que eu possa seguir?A resposta foi originalmente publicada no site do PMI-ES em 04/maio/2015 em Respostas Publicadas.

  • É permitida a republicação/divulgação desta matéria, desde que citado o autor, apresentado o link da Impariamo (www.impariamo.com.br) e o link completo da matéria. 
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