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PMBOK: a Bíblia do Gerenciamento de Projetos

PMBOK: a Bíblia do Gerenciamento de Projetos

por Armando Terribili Filho da IMPARIAMO 

A Bíblia é o livro mais vendido de todos os tempos, com mais de 6 bilhões de exemplares, superando O Livro Vermelho (citações de Mao Tse Tung) com 900 milhões de exemplares, seguido do Alcorão (livro sagrado do islamismo) com 800 milhões de exemplares. A Bíblia é composta por 46 livros (Antigo Testamento) e 27 livros (Novo Testamento).

A Bíblia foi também o primeiro livro impresso por Johannes Gutemberg (inventor e gráfico alemão). Os livros, antes disto eram escritos à mão, despendendo meses para ser elaborado por escribas (em geral, monges), tornando desta forma, seu preço elevado e pouco acessível à população da época. A Bíblia de Gutemberg levou 5 anos para ser concluída, em 1455.

O PMBOK (Project Management Body of Knowledge) é indiscutivelmente a “Bíblia” da área de gerenciamento de projetos. O PMBOK é a base de conhecimento do PMI (Project Management Institute), tendo se tornado em nível mundial como um “padrão de fato”, devido à sua divulgação e penetração em praticamente todo o planeta. O PMI tem hoje mais de 500.000 associados em 185 países. Pode-se afirmar que o PMBOK é um conjunto de processos e práticas na área de gerenciamento de projetos; entretanto, não se constitui em uma metodologia como muitos ainda insistem equivocadamente em afirmar. Aliás, o próprio PMBOK ratifica esta posição no seu primeiro capítulo, quando se intitula como sendo um “guia” e não como uma “metodologia”. 

A história do PMBOK não é tão remota como a da Bíblia, mas tem suas particularidades. Em 1976, no Congresso do PMI em Montreal no Canadá, surgiu a ideia que as práticas em gerenciamento de projetos deveriam ser documentadas. Cinco anos após, a diretoria do PMI aprovou um projeto para desenvolver procedimentos na área de gerenciamento de projetos, estruturando o conhecimento existente. Em 1983 surgiu o embrião do PMBOK com seis áreas de conhecimento: gerenciamento do escopo, tempo, custos, qualidade, recursos humanos e comunicação. Em 1986, uma versão revisada incluía o gerenciamento das aquisições e de riscos. Mas, somente em 1987 surgiu a primeira versão oficial do PMBOK. As edições seguintes em 2000 (segunda edição), 2004 (terceira) e 2008 (quarta edição) trouxeram novas implementações de conteúdos, revisões na abordagem e melhorias. Isto demonstra que o PMBOK é um instrumento vivo e atual. Além da língua inglesa, o PMBOK está disponível em outros dez idiomas: alemão, árabe, chinês, coreano, espanhol, francês, italiano, japonês, português e russo. Além disto, o PMBOK é a base para realização do exame de certificação PMP (Project Management Professional), que conta hoje com 230.000 profissionais certificados em 165 países. 

A quarta edição do PMBOK contém nove disciplinas: gerenciamento da integração, do escopo, do tempo, de custos, da qualidade, dos recursos humanos, da comunicação, dos riscos e das aquisições. A queixa constante que ouvimos acerca do PMBOK é que nele não se encontram templates ou modelos de planos e formulários. Ademais, é algo muito complexo e abrangente. Após muito refletir sobre isto, registro minha opinião sobre este polêmico tema. Se fossem apresentados modelos de planos e formulários, poderia se tornar em uma metodologia (o que não é a proposta do PMI), pois com isto, correria o risco de ter um viés para atender algumas áreas específicas (por exemplo, engenharia e tecnologia da informação em detrimento de outras áreas como projetos sociais, saúde, etc.) Ademais, se fossem propostos modelos muito simples e demasiadamente práticos, poderia se tornar algo banalizado e seria, portanto, pouco utilizado por organizações que atuam com criterioso rigor metodológico em seus procedimentos. Em contrapartida, se o PMBOK contivesse sofisticados modelos de planos e templates, correria o risco de se transformar em útil ferramenta, porém, somente para algumas poucas organizações, o que fugiria do objetivo maior do PMI que é a profissionalização da área de gerenciamento de projetos, pois ficaria restrita a uma amostra reduzida de organizações/profissionais. 

A riqueza do PMBOK não é sua aplicação imediata e nem o passo a passo como muitos gostariam que fosse. O que torna o PMBOK ímpar é o conhecimento disponível, tornando-o em um guia para o profissional da área de gerenciamento de projetos poder efetuar uma avaliação criteriosa do que é aplicável ou não à sua realidade. Mais do que isto, o PMBOK não impede que a criatividade seja colocada à prova a todo instante: seja quando da criação de procedimentos metodológicos em uma organização, seja no suporte pontual a uma determinada demanda. 

Se o livro que você utiliza na área de gerenciamento de projetos não contiver o PMBOK nas referências, desconfie. Se este mesmo livro é estruturado com as tradicionais nove disciplinas contidas no PMBOK, com pouca inovação, opte pelo próprio PMBOK – é fonte mais segura. Esperemos que na quinta edição, a questão de sustentabilidade em projetos seja incorporada ao PMBOK, a indiscutível Bíblia da área de gerenciamento de projetos. A propósito, não é necessário conhecer toda a Bíblia em detalhes para a aplicação diária dos principais conceitos morais nela contidos.

 

Nota do autor: quando este artigo foi escrito, o PMBOK (Project Management Body of Knowledge) editado pelo PMI (Project Management Institute) estava em sua 4ª. edição (2008), contendo 42 processos distribuídos em nove disciplinas: Gerenciamento da Integração, do Escopo, do Tempo, dos Recursos, dos Custos, da Qualidade, das Aquisições, dos Riscos, da Comunicação. Em 2013 foi lançada a 5ª. edição do PMBOK com 47 processos e a inclusão da disciplina Gerenciamento das Partes Interessadas.

 

 

Artigo originalmente publicado no site Meta Análise em 11/05/2011, republicado na Revista Qualimetria FAAP – edição de junho/2011, p. 78-79.

É permitida a republicação/divulgação deste artigo, desde que citado o autor, apresentado o link da Impariamo (www.impariamo.com.br) e o link completo do artigo. 

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