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A maior contribuição da nova edição do PMBOK: governança de projetos

A maior contribuição da nova edição do PMBOK: governança de projetos

por Armando Terribili Filho da IMPARIAMO 

Em 2013, o Project Management Institute (PMI) finalmente lançou a esperada 5ª. edição do PMBOK, que significa “Corpo de Conhecimento do Gerenciamento de Projetos”, tradução do inglês: Project Management Body of Knowledge, atualizando a edição anterior, datada de 2008.

O PMBOK é conhecido e utilizado em todo o planeta, tendo se tornado um “padrão de fato” para os profissionais de Gerenciamento de Projetos, em função da penetração e capilaridade do PMI em todos os continentes. Evidentemente, algumas contestações podem surgir, sobretudo do IPMA (International Project Management Association) que tem no ICB (IPMA Competence Baseline) o seu guia de conhecimento. 

O objeto desse artigo não é polemizar entre PMI e IPMA, tampouco entre PMBOK e ICB. O que se pretende discutir é o que efetivamente mudou na 5ª. edição do PMBOK comparada com a 4ª. edição, além do acréscimo de 130 páginas (passou de 459 para 589). Ademais, quais são os benefícios que a nova edição pode trazer à área de Gerenciamento de Projetos. 

A história do PMBOK se inicia em 1983 quando surge o embrião, com padrões para seis áreas de conhecimento: gerenciamento de escopo, de custo, do tempo, da qualidade, dos recursos humanos e da comunicação do projeto. Em 1986 foi lançada uma versão revisada, incluindo o gerenciamento de riscos e de aquisições. Em 1987, o PMI publicou oficialmente o PMBOK, documento inovador contemplando oito áreas do conhecimento que auxiliava Gerentes de Projeto e profissionais da área, com métodos, padrões e conceitos. Em 1996, o documento foi atualizado, com a inclusão da nona área de conhecimento: o gerenciamento da integração. As versões que seguiram: 2000 (segunda edição), 2004 (terceira) e 2008 (quarta edição) trouxeram implementações de conteúdo, novos conceitos, revisões de abordagens, melhorias e eventuais ajustes. 

A primeira diferença significativa entre a quarta e quinta edição do PMBOK é a incorporação detalhada da “Governança de Projetos”, abordada de forma ampla e abrangente. Nesse tema, o guia destaca que o PMO (Escritório de Projeto) tem papéis decisivos, quanto ao envolvimento dos stakeholders (partes interessadas no projeto), bem como, ter políticas, procedimentos e padrões documentados e clareza na definição de autoridade e responsabilidades no projeto. No PMBOK são apresentados 11 elementos que podem compor um framework de uma governança de projeto, contemplando os critérios de aceite dos entregáveis do projeto, definição dos processos de solução de problemas, definição clara de responsabilidades dos participantes do projeto, dos processos de fluxo da informação, de aprovação de mudanças no escopo, custos e qualidade quando transcendem o nível de autoridade do Gerente de Projetos, etc. 

A segunda diferença notória na nova edição do PMBOK é a inclusão de uma nova área de conhecimento: Gerenciamento dos Stakeholders, ou seja, os envolvidos/interessados no projeto, passando assim, de nove para dez áreas de conhecimento, que são: gerenciamento da integração, do escopo, do tempo, do custo, da qualidade, dos recursos humanos, da comunicação, dos riscos, das aquisições e das partes interessadas. 

O tema “gerenciamento das partes interessadas” na quarta edição do PMBOK estava diluído nos processos das outras nove áreas, entretanto, devido à sua importância, optou-se por criar uma área específica, que reforça os aspectos de governança de projeto. Em função dessa nova área de conhecimento, dois novos processos foram criados e dois que estavam em gerenciamento da comunicação foram transferidos para a área de gerenciamento das partes interessadas. 

Os 42 processos contidos na 4ª. edição passaram então para 47, onde também foram incluídos três novos processos de planejamento nas áreas de escopo, tempo e custo. Assim, se na edição anterior havia 20 processos de planejamento (48% do total dos processos), na corrente edição dos 47 processos, 24 são de planejamento (51%), reforçando a importância e o destaque do planejamento de um projeto. A tabela apresentada mostra a distribuição dos processos por área de conhecimento e grupo de processo (iniciação, planejamento, execução, monitoração/controle e encerramento) da quinta edição do PMBOK. 

 Dardo

 

A manutenção da mesma estrutura do PMBOK (4ª. e 5ª. edições) e a apresentação didática das mudanças processadas na última edição facilitam a realização de consultas pelo usuário, pois o novo guia já se mostra familiar ao leitor. A inserção de melhorias no conteúdo da nova edição, a busca pela incorporação de termos técnicos padronizados por associações profissionais e o interesse em atualizar esse guia que é “padrão de fato” demonstram que o PMBOK é um instrumento vivo que, com a colaboração de centenas de profissionais ao redor do mundo, propicia um engrandecimento da área de Gerenciamento de Projetos e de desenvolvimento dos profissionais que atuam nessa área. O Código de Conduta Ética do PMI, que complementa o PMBOK, fornece o alicerce para que este instrumento vivo contemple questões de responsabilidade profissional a todos os praticantes de Gerenciamento de Projetos. 

A quarta edição foi lançada (além de inglês e português), em outros nove idiomas: alemão, árabe, chinês, coreano, espanhol, francês, italiano, japonês e russo. Espera-se que as traduções da quinta edição sejam ampliadas para outros idiomas, possibilitando assim, que a divulgação das boas práticas em gerenciamento projetos se sobreponha a eventuais barreiras linguísticas, para que os benefícios propiciados com a abordagem da governança de projetos sejam usufruídos pela sociedade de modo amplo.

 

 

Artigo originalmente publicado no site Meta Análise em 03/04/2013.

É permitida a republicação/divulgação deste artigo, desde que citado o autor, apresentado o link da Impariamo (www.impariamo.com.br) e o link completo do artigo. 

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