Menu

Home office e a pesquisa acadêmica

Home office e a pesquisa acadêmica

por Armando Terribili Filho da IMPARIAMO 

Sempre ouvimos que há um distanciamento entre o mundo corporativo e a área acadêmica no país. Razões não faltam para tal afirmação, iniciando-se em aspectos históricos e culminando em questões de ideologias político-econômicas; entretanto, não é esta a discussão proposta neste artigo. Atuando há anos em ambos os universos - empresarial e acadêmico - vivenciei uma experiência ímpar neste último ano, que gostaria de registrar.

Realizei a orientação de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que fez um oportuno e rico diagnóstico da situação do Home Office no Brasil, que é a realização de atividades profissionais realizadas nas dependências domiciliares do empregado, sendo portanto, uma modalidade de Teletrabalho ou Trabalho a Distância.

O grupo formado por cinco estudantes do último ano da Faculdade de Administração da FAAP em São Paulo, aparentemente com atributos similares a dezenas de orientações que realizei nos últimos anos, tinha, porém, dois diferenciais: a determinação de cada um dos integrantes e a curiosidade do grupo, que é o agente incentivador para a realização de qualquer pesquisa.

Para conhecer a situação do tema ainda emergente no país, o grupo realizou uma pesquisa de campo com 72 profissionais de várias cidades que atuam na modalidade de Home Office, mesmo que parcialmente. Ademais, o grupo entrevistou gerentes de empresas multinacionais e especialistas no assunto, incluindo-se advogados. Evidentemente que livros e artigos, nacionais e internacionais, deram sustentação teórica ao trabalho desenvolvido.

O resultado do trabalho trouxe algumas surpresas, como o fato de que a maioria da empresas atuantes com Home Office, não tem isto formalizado através de contrato assinado entre as partes com benefícios e obrigações explicitados, ou seja, o Home Office no país é dominantemente informal.

Um ponto interessante que o grupo trouxe para debate foram as vantagens e desvantagens do Home Office em três dimensões distintas: pessoa, empresa e sociedade. Para as pessoas é a redução da locomoção até o local de trabalho (custos e tempo); para as empresas, a redução de custos de infraestrutura de escritório e o aumento de produtividade de seus profissionais; e para a sociedade, a melhoria da qualidade do ar e a redução do trânsito urbano, entre outros aspectos. Evidentemente que os aspectos culturais ainda estão em fase de assimilação da nova forma de trabalho que a tecnologia trouxe consigo, tanto para os funcionários, gestores e para as famílias também.

Da orientação realizada, ficaram evidentes três conclusões. A primeira, que o Home Office é uma tendência no país, sobretudo, nas grandes cidades, porém, algo que necessita de amparo legal para sua viabilização, tendo por base a realidade, o respeito e a responsabilidade, evitando-se medidas superprotetoras, paternalistas ou abusivas de qualquer das partes envolvidas. A segunda conclusão é que o tão decantado distanciamento entre o mundo acadêmico e corporativo é menor do que se imaginava – o grupo orientado conseguiu realizar uma pesquisa acadêmica com base no mundo corporativo e ofereceu algumas contribuições para a sociedade, tanto em termos de conhecimento como nas recomendações pragmáticas para o tema. E finalmente, a terceira conclusão que obtive é que ser professor é extremamente prazeroso, pois nos obriga a pesquisar o tempo todo, aprendendo e ensinando, evidenciando que o professor deixou de ser o centro do processo ensino-aprendizagem, mas sim, um facilitador e um orientador.

 

Artigo originalmente publicado no site Meta Análise em 13/08/2009.

É permitida a republicação/divulgação deste artigo, desde que citado o autor, apresentado o link da Impariamo (www.impariamo.com.br) e o link completo do artigo. 

voltar ao topo

Cursos e Workshops

Consultoria

Impariamo...

Livros

Gerenciamento Projetos

Artigos