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Planejar a carreira é factível ou modismo?

Planejar a carreira é factível ou modismo?

por Armando Terribili Filho da IMPARIAMO

De tempos em tempos, novas buzzwords surgem no mercado atingindo de forma implacável empresas, executivos e profissionais de todos os níveis. Nos anos 1980, as palavras de ordem no meio empresarial eram os Programas de Qualidade Total e a Certificação ISO 9000; enquanto que para os profissionais, exigia-se diploma de curso superior. Nos anos 1990, o apelo volta-se para os cursos de MBA (Master Business Administration), que passam a ser fatores de diferenciação na contratação de profissionais no mercado, enquanto as empresas se preocupam em realizar reengenharias e downsizings.

Na atualidade, enquanto as organizações lutam por maiores espaços no mercado virtual e globalizado, com investimentos para obtenção de aumento de produtividade, certificações e responsabilidade social, fala-se em planejamento de carreira como algo imprescindível ao sucesso de qualquer profissional. 

Desnecessário seria discutir a importância dos programas de qualidade, das certificações empresariais, da busca constante pela melhoria da produtividade, das ações na área de responsabilidade social, contemplando as dimensões: econômica, legal, ética, filantrópica e cultural. O que se pretende neste artigo é discutir o “planejamento de carreira” – seu real alcance e possibilidades. Em geral, se escolhe a profissão, mas não se faz o planejamento e a gestão da carreira.

Em primeiro lugar é importante discutir o que é um planejamento de carreira, pois muita gente acha que é algo burocrático, engessado, que exige metodologia específica e/ou consultoria externa para sua elaboração. Não é necessário nada disto! Há alguns bons livros que podem orientar o profissional na sua elaboração, quando deve contemplar aspectos de autoavaliação, tais como: o que gosto de fazer, quais são meus pontos fortes e quais os que ainda devo desenvolver. Em paralelo com esta autoavaliação, o profissional deve pesquisar sobre especificidades do mercado em que pretende atuar e o que nele é valorizado: idiomas estrangeiros, cursos, especializações, títulos, certificações, etc. 

Com base na autoanálise e na avaliação dos requisitos de mercado, deve-se elaborar um plano de ações que vise potencializar seus pontos fortes e endereçar seus pontos a desenvolver (não use o termo “pontos fracos”, pois isto pode se internalizar e se estabelecer de forma negativa em seu inconsciente). A execução do plano de ações requer organização, determinação, paciência e persistência, pois há ações de curto, médio e longo prazos. 

Há empresas que têm ferramentas que possibilitam que seus profissionais desenvolvam seus planos de carreira. As políticas e procedimentos existentes fazem com que estes planos sejam materializados, e o suporte gerencial facilita que se tornem realidade, através de atividades de mentoring e coaching. O profissional deve estar atento que o plano de carreira na empresa nem sempre é totalmente aderente às suas expectativas, uma vez que a empresa tende a direcionar o desenvolvimento de seus profissionais para suas necessidades e estratégias. O nível de “aderência” ou “descolamento” pode ser fator determinante para que o profissional reflita sobre seu futuro na organização. 

Com apoio da empresa ou não, a ação é trabalhar, trabalhar muito! Trabalho que ao lado do equilíbrio emocional e da integridade pessoal compõem o tripé do sucesso profissional. Além disto, o profissional deve procurar manter-se sempre atualizado, desenvolvendo novas habilidades e capacidades, porém nunca esquecendo da importância do aspecto social e afetivo em nosso dia a dia, que proporcionam o tão necessário equilíbrio pessoal.

Alguns profissionais perguntam qual o tempo ideal para se permanecer em uma empresa? 2, 4 ou 7 anos? Não há uma verdade nisto tudo, embora, após cinco anos de trabalho em uma mesma organização, o profissional já teve um desempenho comprovado e obteve realizações, criou amizades, aprendeu e ensinou – ou seja, está pronto para novos desafios! Se optar por permanecer na empresa, deve ter certeza que ainda tem a contribuir, ainda tem a se desenvolver e que novos projetos trarão motivação e realização profissional; caso contrário, é hora de buscar outros horizontes.

Assim, o planejamento de carreira é algo dinâmico que pode ser revisado periodicamente, permitindo mudanças e reformulações. O desenvolvimento de certos skills pode ser diferencial de competitividade e fator decisivo na obtenção de posições gerenciais e executivas, sejam internas à empresa ou no mercado. Faça uma analogia com um voo. O seu voo deve ser do tamanho dos seus sonhos, dos seus conhecimentos e da sua determinação, mas é sempre bom ter em mãos um “plano de voo”, pois é importante saber qual é o destino desejado, as condições de tráfego aéreo e a quantidade de combustível disponível.

 

Artigo originalmente publicado no site da Revista Info Corporate em 11/10/2007.

É permitida a republicação/divulgação deste artigo, desde que citado o autor, apresentado o link da Impariamo (www.impariamo.com.br) e o link completo do artigo. 

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